Intellectuels se taisent! Une critique!

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Por. José Vilema.

Hoje vivemos uma crise sem precedentes. As esferas da política, cultura, valores morais, estética, noções de espaço e tempo, paixões e todas as actividades humanas são afectadas de modo quase improvável. A raridade em comparação às crises anteriores é que, agora, é incerto o futuro que se objectiva. O espaço geográfico se radicaliza à medida que os valores concebidos como universais, designadamente, liberdade, justiça, razão, verdade, conteúdos dos elementos pensantes, perdem legitimidade e utilidade. Muitos sabem, porém poucos souberam levantar a bandeira e dizer que a Humanidade assemelha-se a um comboio que descarrilou, todavia continua em andamento.

Ressurge o desespero e a certeza de que agora as ideologias nos conduzem para uma espécie de abismo sem fundo. Onde estamos? Qual é o nosso destino? Há, com elevada convicção, dificuldades em representar o mundo actual, mas o silêncio e letargia dos intelectuais da presente época corrói a esperança de qualquer ser humano comprometido com o seu tempo, optimista por um mundo não desigual.

O nosso paradigma estagnou. Por essa razão dissociámos qualquer semelhança aos paradigmas anteriores. O diagnóstico do filósofo francês, Jacques Bouveresse, é preciso. No seu texto, Rationalité et Cynisme (1985), reafirma o mau tempo, o processo de estagnação e sobretudo o declínio preocupante da escassez de “dúvidas” nos ciclos científicos. Bouveresse, no fundo, retoma os conceitos de estagnação, declínio e metamorfose da tradição filosófica. Uma tradição que muito produziu, no entanto foi substituída pela esperança tecnocrata. O fim da crença no progresso do homem enquanto persona praedita intelligence confirma a entrada numa era tipicamente “pós-moderna” l’époque postmoderne e sobretudo Secular. Todavia, como bem consolida o filósofo francês, o pós-modernismo que tenciona responder às questões de legitimidade, despe-se das “grandes narrativas” da modernidade, e mais do que respostas nos introduz um manancial de questões.

É verdade que não há déficit de tomada da palavra em nossas sociedades pela razão da proliferação dos direitos democráticos. Existe, sim, deficit de compreensão. Como consequência, procura-se responder desafios modernos com conceitos criados nos séculos XIX e XX, produzindo, deste modo, fragmentações entre as teorias e as realidades. Como referi, entramos numa Era de incertezas profundas. A experiência, actualmente, alicerça-se no esquecimento de suas origens, o que provoca no espírito crítico e racional de nossa época um singular mal-estar.

Fomos e temos sido traídos sempre que se sobrepõe ao espírito da Razão qualquer interesse que não se assente na ideia de Humanidade, cujo benefício primeiro se distancie do bem-comum. Tem razão Julien Benda, La Trahison des clercs (1927); The Treason of the Intellectuals (2011), quando atribui aos intelectuais um oportunismo desmedido em favor de proveitos práticos. Benda, já na década de 1920, alertou, por este facto, a morte do intelectual despreocupado e o nascimento de um “novo clérigo” submisso à vontade de poder, ao dinheiro e ao prestígio.

Ao intelectual não se lhe pede um isolamento, contudo a ele recai o “poder” da mudança social e a ação de um espectador indiferente. Por este efeito, nos lembra e bem Alain De Libera (2011), a matéria do intelectual resulta de dois abismos, por lado, a ordem e a desordem do mundo e das coisas, por outro. A capacidade de administrar este carácter ambivalente, atribui-lhe o direito de construir e reunir a si próprio e a todas as coisas, por intermédio dos atos, tudo que se encontra disperso. Para mim, este deve ser o exercício norteador da construção do espírito analítico-crítico. Um espírito isento de interferências, distante das velhas armadilhas, nas palavras de Séverine Kodjo-Grandvaux, evitando o contágio do pensamento homogéneo e o isolamento excessivo.

Estas são considerações plurais que levaram à reflexão em torno do papel do intelectual nos tempos que correm.

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José Vilema, Ph.D.
Investigador, Centro de Investigação em Ciência Política (CICP);
Pós-doutorado em Teoria Jurídico-Política;
Doutor em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais;
Researcher, Center for Research in Political Science (CICP);
Postdoctoral in Legal-Political Theory;
Ph.D. in Legal Theory, Politics and International Relations.
jovilema@uevora.pt

 

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